Inteligencia emocional na pratica nao e reprimir o que sente e saber o que fazer com isso

Inteligencia emocional e um daqueles conceitos que todo mundo acha que entende ate precisar aplicar de verdade. Na teoria, faz sentido: reconhecer emocoes, regular respostas, ter empatia, se comunicar com clareza. Na pratica, no meio de uma discussao que escalou rapido ou de uma situacao de trabalho que ativou algo muito antigo, a teoria costuma desaparecer com uma velocidade surpreendente.

Uma das confusoes mais comuns em torno do tema e achar que inteligencia emocional significa nao ser afetada pelas emocoes — ou ser afetada de forma mais discreta, mais controlada, mais palatavel para os outros. Nao e isso. E a capacidade de ter acesso ao que esta acontecendo internamente e de usar essa informacao de forma consciente, em vez de ser governada por ela sem perceber.

O que a neurociencia diz sobre emocoes e decisoes

Durante muito tempo, a razao e a emocao foram tratadas como forcas opostas — e a emocao, no imaginario popular, era a que precisava ser vencida. O trabalho do neurologista Antonio Damasio mudou bastante essa perspectiva. Ele estudou pacientes com danos nas areas cerebrais responsaveis pelo processamento emocional e descobriu algo inesperado: sem acesso as emocoes, essas pessoas nao se tornavam mais racionais. Tornavam-se incapazes de tomar decisoes.

O que isso sugere e que emocoes nao sao ruido — sao dados. Sao informacoes sobre o ambiente, sobre relacoes, sobre o que importa para voce. Ignorar esses dados nao e inteligencia; e navegacao sem instrumento.

Reconhecer antes de reagir

A primeira competencia da inteligencia emocional — e talvez a mais dificil — e a consciencia: saber o que voce esta sentindo enquanto esta sentindo, e nao apenas horas depois, quando ja passou e voce consegue analisar com distancia. Isso exige uma especie de atencao de segundo plano, um canal aberto para o proprio estado interno enquanto voce tambem esta presente na situacao externa.

Isso se pratica. Nao e um dom natural que algumas pessoas tem e outras nao. E uma habilidade que se desenvolve com intencao e, muitas vezes, com ajuda — seja de terapia, de praticas contemplativas, ou de espacos de reflexao como os que o Fantastico Mundo de Nicole propoe, onde a relacao com as proprias emocoes e tratada como parte central do bem-estar feminino.

A diferenca entre expressar e explodir

Existe uma confusao frequente entre autenticidade emocional e impulsividade. Algumas pessoas, ao descobrir que reprimir emocoes e prejudicial, chegam ao extremo oposto: qualquer emocao precisa ser expressa imediatamente, sem filtro, sem contexto, sem consideracao pelo impacto nos outros.

Mas a inteligencia emocional nao e isso. E saber o que esta sentindo, entender de onde vem aquilo, e escolher conscientemente como e quando expressar — ou nao expressar. Voce pode estar com raiva e decidir nao agir a partir da raiva naquele momento. Isso nao e reprimir. E discernimento.

Empatia sem perder a si mesma

Uma dimensao da inteligencia emocional que merece atencao especifica no contexto feminino e a empatia. Mulheres sao frequentemente socializadas para ter empatia em alto grau — para sentir o que o outro sente, para antecipar necessidades, para se sintonizar com o estado emocional das pessoas ao redor. Isso tem valor. O problema e quando a empatia se torna fusao — quando voce para de distinguir o que e seu e o que e do outro.

Empatia saudavel exige uma base solida de contato com os proprios estados internos. Voce consegue estar presente para o que o outro sente sem se perder nisso quando sabe claramente o que e seu e o que e dele. Essa distinção e o fundamento de qualquer relacao emocionalmente madura.

Lory Aguiar

Posts Similares